13 coquetéis para acabar de vez com o preconceito contra a tequila
Por Sergio Crusco
“Tequila não, pelamor, sobre muito rápido! Afffff, tenho trauma!” Você já deve ter ouvido essas frases algumas vezes ou até pode ser a pessoa que as diz com certa frequência. Só que não, meu amor. Com teor alcoólico por volta dos quarenta, a tequila está equiparada em graduação a vários outros destilados: cachaça, whisky, vodca, tiquira, gim… E por que só ela ela leva a fama de malvada?
Pensa naquela festinha em que um ser sensual servia doses de tequila e a turma resolveu fazer competição de quem virava mais shots. Não tem como dar certo: com tequila, com cachaça, com whisky, com vodca, com gim ou até com bebidas menos alcoólicas. O resultado sempre será uma tragédia e, no dia seguinte, a ressaca passa como uma jamanta por cima de quem bebeu com desvario. Outra frase chavão, no final das contas, será: “Meodeos, por que eu não aprendo?”

(Foto: Meritt Thomas/Unsplash)
Só que a tequila está longe de ser um destilado rastaquera. É coisa fina, sinhá, como dizia o velho samba de Beth Carvalho. Em defesa do seu chiquê, basta lembrar o hype que o destilado de agave azul mexicano vive durante algum tempo nos Estados Unidos. Ficou chique, entre celebridades, ter sua marca de tequila. Alguns dos famosos que entraram na onda são Matthew McConaughey, Pitbull, George Clooney, George Srait, Rita Ora, Michael Jordan, Adam Levine, Kendall Jenner, Kevin Hart, Nick Jonas e outras estrelas.
Agora pense de outro jeito: você já não bebeu whisky mata-rato e whisky do bom e do melhor? Sabe identificar as diferenças entre eles, certo? Com tequila e qualquer outra categoria de bebida é a mesma coisa: tem as horrendas, tem as mais ou menos, tem as boinhas, tem as excelentes e tem as especialíssimas. Vai do bolso e da ocasião.
Há uma régua para identificar uma boa tequila. A inscrição “100% agave” no rótulo significa que todo o álcool daquele líquido foi obtido a partir da fermentação e da destilação do agave azul, única planta permitida para fabricar tequila no México (há diversos outros tipos de agave, que geram vários estilos de bebidas). As 100% são mais caras, mas isso não quer dizer que tequilas que misturem álcool de agave com o de outros vegetais não possam ter qualidade. Por aí, percebe-se que há método e seriedade na produção de tequila no México – repetimos: como acontece com qualquer categoria de bebida.

(Foto: Francisco Galarza/Unsplash)
Tem mais: há tequilas frescas, que não passam por madeira. Há as tequilas envelhecidas, como reposado (que passa por barris de dois meses a um ano) e añejo (de um ano até o tempo de barril que o produtor decidir deixar sua bebida descansando). Isso muda muita coisa: as tequilas jovens vêm com muita força vegetal (essa é uma de suas maiores graças) no aroma e no paladar, e são preferidas pelos bartenders para criar coquetéis refrescantes e ácidos, caso da clássica Margarita. Tequilas velhuscas são boas para drinks potentes e substituem, numa boa, destilados de receitas como o Manhattan, o Negroni, o Old Fashioned.
Por isso, é bom deixar o preconceito de lado e enxergar a tequila com o carinho e o respeito que ela merece. Os mixologistas não têm esse tipo de trilili e é batata que você vai encontrar, em qualquer bar que se preze, alguma ou algumas boa pedidas à base de tequila. Vitrus Indica traçou um roteiro bem democrático com 13 boas ideias em bares e restaurantes de São Paulo, dos drinks leves e fáceis de beber aos mais encorpados, que podem finalizar a refeição ou a noitada.
Piná (Aconchegante Bar)

(Foto: Divulgação)
Refrescantíssimo, o Piná (R$ 43) é ótima pedida de entrada no Aconchegante Bar. Tem tequila branca, caramelo de abacaxi com tomilho e baunilha, borbulhante de Cambuci e bitter de lavanda. A receita do bartender Caik Lima é bem tropical e tem acidez elevada, o que faz a boca salivar para morder os quitutes gulosos (e gordurosos) da chef Katia Lyra.
Aconchegante Bar Rua Jesuíno Pascoal, 35, Vila Buarque / @aconchegante_bar
Cobra Norato (Banqueta Bar)

(Foto: Divulgação)
Cobra Norato (R$ 46) é outro drink bem fresco e ácido, com tequila branca, vodca, soda de cupuaçu com maracujá, tintura de cumaru, limão e urucum. O coquetel integra a carta de Igor Bauer, do Banqueta, com base em lendas e ingredientes de todas as regiões do Brasil.
Banqueta Bar
Rua Aspicuelta, 202, Vila Madalena
Avevida Cotovia, 619, Indianópolis / @banqueta.bar
Tequila Sunrise (Santana Bar)

(Foto: Reprodução Instagram)
O drink de praia Tequila Sunrise (R$ 61) faz parte da carta Retro & Kitsch Cocktails, criada por Gabriel Santana e Vinicius Demian no Santana Bar. A proposta é reinventar clássicos cafonas e fora de moda de um jeito up to date. Tequila Sunrise vem com cores e sabores diferentes, com a união de tequila añejo, uísque turfado (com aroma defumadão), aperitivo de laranja, aperitivo vínico, Jerez, manga, maracujá e coco.
Santana Bar Rua Joaquim Antunes, 1026, Pinheiros / @_santanabar
Margarita Spicy (P’Lek)

(Foto Agada Han/Divulgação)
Olha a Margarita aí, gente! O coquetel mais clássico com tequila permite um mundo de invenções e possibilidades. No P’Lek, João Piccolo resolveu incrementar a receita tradicional com elementos presentes na culinária tailandesa, grande inspiração da casa e de sua irmã mais velha, Ping Yang. Margarita Spicy (R$ 58) tem pimenta verde, tequila, Cointreau e limão. Margarita Tamarindo (R$ 54), o nome já diz, mistura a fruta, um toque de bloody mix e os ingredientes regulamentares.
P’Lek Rua Dr. Melo Alves, 762, Jardins / p.lek.bar
Celery Until Morning (Cascasse Il Mondo)

(Foto: Reprodução Instagram)
Saímos do modo frutado para entrar no amargor, mas ainda mantendo frescor e salinidade, num trago com evidente caráter vegetal. Assim é Celery Until Morning (R$ 48), criação do bartender Fernandinho para o Cascasse Il Mondo. A receita tem tequila branca com salsão, Aperol, amaro, limão e bitter de salsão.
Cascasse il Mondo Rua Tucuna, 724, Pompeia / @bar.cascasseilmondo
Four Horseman (Pobre Juan)

(Foto: Julia Rodrigues/Divulgação)
Aqui a coisa vai ficando mais séria, com a mistura de quatro destilados: tequila, bourbon, scotch e tennessee whiskey. O encontro de Four Horsemen (R$ 59), um dos mais pedidos na rede parrillas Pobre Juan, ainda tem, limão, uva verde e xarope de açúcar, que equilibram o conjunto. Bom drink de entrada para abrir o apetite para as carnes.
Pobre Juan
Rua Comendador Miguel Calfat, 525, Vila Nova Conceição
Rua Itaguaba, 38, Higienópolis
Rua Tupi, 979, Pacaembu
Avenida Roque Petroni Júnior, 1089, Morumbi Shopping, Piso Superior
Avenida Magalhães de Castro, 12000, Shopping Cidade Jardim / @restaurantepobrejuan
Maria Pomodoro (Bela Vista Bar)

(Foto: Rubens Kato/Divulgação)
O Bloody Mary é o rei do brunch, do papo no meio da tarde e da harmonização com pratos salgados e cheios de umami. No Bela Vista Bar, do Rosewood Hotel, Maria Pomodoro (R$ 85) é uma versão com tequila em infusão de azeite, suco de tomate, cítricos, mix apimentado e bitter de aipo.
Bela Vista Bar (Rosewood Hotel) Rua Itapeva, 435, Bela Vista / @rosewoodsaopaulo
Hello Suckers (Tan Tan)

(Foto: Reprodução Instagram)
Já que estamos falando de salinidade e umami, outra dica nesse estilo é Hello Suckers (R$ 68), um dos preferidos do Tan Tan, onde reinam as receitas de Thiago Bañares e Caio Carvalhaes. Ele tem tequila branca, vodca, vermute seco, pimenta de cheiro, chá lapsang souchong e tomate. Intenso, amargo, umami e com um toque defumado. Quase uma refeição.
Tan Tan Rua Fradique Coutinho, 153, Pinheiros / @tantannb
Perfumerie (Trinca Bar)

(Foto: Pedro Knoll)
Na onda dos coquetéis mais potentes, prove uma receita que pode mudar de aroma de acordo com seu perfil de bebedor. Perfumerie (R$ 55), criação de Alê Bussab para o Trinca, tem tequila branca, folhas de limão kaffir, cordial de ervas e bitter de laranja. A brincadeira é perfumar seu coquetel com três opções diferentes: café com whisky defumado, erva doce com maracujá ou baunilha com limão.
Trinca Bar Rua Costa Carvalho, 96, Pinheiros / @trincabar
Vespro (Madonna Cucina)

(Foto: Cúrcuma Studio/Divulgação)
Denso e untuoso, o Vespro (R$ 88) é uma criação de Stephanie Marinkovic para o restaurante Madonna Cucina, de culinaria italiana liderada pelo chef Roberto Rodrigues. A mistura tem tequila reposado, vermute tinto, Vinho do Porto Ruby e bitter de cacau. Elegantérrimo para fechar uma refeição.
Madonna Cucina Rua Pedroso Alvarenga, 677, Itaim Bibi / @madonnacucina
Cafelito (Cala del Tanit)

(Foto: Juliana Primon/Divulgação)
Por falar em finalizar, que tal um drink com café? Gustavo Rômulo criou uma pedida especial para a ocasião, no Cala del Tanit, do chef Oscar Bosch. O potente e aveludado Cafelito (R$ 56) leva tequila añejo, blended whisky, café, avelã e bitter de cacau.
Cala del Tanit Rua Pais de Araújo, 147, Itaim Bibi / @caladeltanit
Rachel (Café Hotel)

(Foto: Raul da Mota/Divulgação)
O Espresso Martini é outro clássico que permite mil brincadeiras. Subvertendo a receita original, Renan Militão bolou o Rachel (R$ 49) para o Café Hotel. Mistura de tequila branca, Licor 43, café especial da No More Bad Coffee e laranja. Mais um que pode ser o gran finale da noite.
Café Hotel Rua Amaro Cavalheiro, 22, Pinheiros / @cafehotelbar
Churros (Oculto)

(Foto: Luanna Cabral/Divulgação)
Fica, vai ter bolo! Ops, Churros (R$ 45). O coquetel de Gabriela Fernandes transforma a gostosura de parque de diversões e porta de circo em um trago bem balanceado, sem dulçor excessivo, com tequila branca, Jerez Oloroso, brandy e doce de leite clarificado. Delicinha de sobremesa líquida.
Oculto Rua Fidalga, 120, Vila Madalena / @castelooculto
