Novo Fueda Bar é o paraíso para quem ama tapas e faz questão de chuchar os molhos gostosos com pão
Por Sergio Crusco
Difícil resistir à piadinha, mas o Fueda é phodda mesmo. Em pouco menos de um mês de sua abertura, o novo bar de Pinheiros vive lotado e é provável que se enfrente fila, caso se escolha um final de semana especialmente bombado para fazer a visita. Fizemos a nossa numa terça, estava bem cheio, mas conseguimos uma mesinha no andar superior, que tem ares de lounge e pode receber grupos sob reserva.
A localização ajuda bastante. O Fueda fica num dos pedaços mais muvucados do Baixo Pinheiros, na frente do Pirajá original, entre o Vinil Burger e o já histórico Ginger. Entre os proprietários, uma celebridade da gastronomia nas redes sociais, o influenciador Gabriel Gasparini (do perfil @gaspaindica, com mais de 260 mil seguidores), profissional de marketing como o sócio Lucas Placido. Só que hype sem recheio não costuma ir muito longe (sei lá, às vezes até vai).

Acontece que, nesse recheio, o Fueda tem o que mais importa: sabor e sustança. A cozinha, a cargo do chef e também sócio Fernando Berteli, é a grande alma do lugar, à parte a decoração bacaninha, o branding bem feito e outros borogodós. Seguindo a ideia de Gaspa, o cardápio foi construído com base nos bares de tapas espanhóis, com balcão de acepipes rapidinhos. Fernando foi além, criando conexões entre os clássicos de boteco da Espanha e culturas como a brasileira (claro), a italiana, as de vários povos do oriente e do norte da África.
A viagem começa com um balcão de acepipes que inclui alho assado, escabeche de peixe, picles variados, vinagrete de lula, ovos de codorna ao molho sumissô, azeitonas grelhadas e outras delicinhas que abrem a parada de sucessos e já podem ser tabeladas com chope, doses de vermute ou coquetéis clássicos e autorais da carta elaborada por Gabriel Santana, do Santana Bar.

Em seguida, vem a seção “mordidas frias”, da qual destacamos as opções do mar. O crudo de carapau, servido com ajoblanco (sopa fria de amêndoas e alho) e uvas verdes tostadas, para comer de colher, é escandalosamente cremoso e gostoso. Tem também as porções de manjubas curadas e alici da Sicília, bem azeitadas, banhadas no salmoriglio, com alho e vinagre de jerez. E o tiradito de sardinha com molho de pimentão. Para quem ama não desperdiçar todos os sucos, recomenda-se pedir uma porção de pão para essas e outras pedidas do menu, muitas delas igualmente molhentas e chucháveis.

Um dos hits da seção “mordidas quentes” já vem com a ideia da chuchada acoplada. O prego de rosbife, inspirado nas andanças de Fernando por Portugal, vem com molho bovino potente, bem condensado e puxado no alho, em que você vai molhando o pão enquanto come. As miniberinjelas à parmegiana também fazem sucesso, com coalhada de leite de ovelha da queijaria Rima por cima.
Quem tem paixão por vitello tonnato não deve perder a reconstrução quente do prato, com almôndega de carne bovina, o molho regulamentar de atum do clássico italiano, com um toque de katsuoboshi (atum seco japonês) para finalizar. É um dos petiscos que representa bem o crossover cultural do Fueda.

Entre os principais, vale provar o short rib da raça berkshire, servido ao ponto, com purê de maçã verde e xarope de amêndoas e jus de bochecha suína. Outro prato que merece uma porção de ciabatta para chuchar. O steak fueda, também mega suculento, puxado na manteiga noisette, pode vir acompanhado de batatas ou salada cesar e atende a quem vai ao Fueda com grandes fomes.

De beber
A carta de coquetéis autorais de Gabriel Santana traduz o espírito do Fueda com algumas opções leves e refrescantes. Moringa 2.0 é o mais vendido, com tequila, goiaba, cítricos e club soda – quase um suquinho, pero no mucho. Outra pedida frutada, porém mais encorpadinha, é El Capitán, com scotch, abacaxi grelhado e bitter de mel com cachaça. Para quem pede potência, tem o Tropical Boulevardier, com bourbon, Campari em infusão de maracujá, vermute tinto e Cynar.
Opa, chegamos aos vermutes. Para provar que a paixão de Gaspa pelos bares de tapas tem bases profundas, ele fez questão de colocar no Fueda uma carta de vermutes, hábito bastante difundido no aperitivo de países latinos. A deliciosa ideia de se beber vermute puro, com água com gás ou tônica começa a pegar impulso, ainda que suave, no Brasil. Para quem quer entrar na onda, a seleção do Fueda tem 15 rótulos de Brasil, Espanha, França, Argentina e Uruguai. Vitrus Indica participou do encontro Sur Vermut, que difunde esse hábito, e aprova. Que a influência de Gaspa espalhe a palavra do vermute entre nós.
E tem os vinhos, numa carta que puxa para França (com destaque para Borgonha) e Portugal, com toques de Espanha, Itália, Argentina e Uruguai. Os brancos predominam e, de fato, costumam fazer bom par com as tapas, especialmente as de comidas do mar. O português Luis Pato, da uva Maria Gomes, da Bairrada, é uma delicinha fresca e mineral que vai abraçar vários sabores sutis do Fueda. Entre os tintos, há uma preocupação clara em oferecer rótulos mais “modernos”, sem tanta carga de madeira e ênfase na fruta, como Famille Perrin Rasteau L’Andéol Rouge, de Grenache e Syrah, do Vale do Rhône.
Fueda Bar Rua Padre Carvalho, 24, Pinheiros / @fuedabar
Fotos: Divulgação
