O evento Sur Vermut apresenta toda a diversidade do vermute da América Latina ao público brasileiro
São Paulo se transforma na capital do vermute no dia 20 de setembro, domingo próximo, com a chegada da terceira edição de Sur Vermut em nossas terras. O evento, que já aconteceu nos dois anos passados em Montevidéu, agora reúne 14 produtores de Argentina, Bolívia, Brasil, México, Paraguai, Peru e Uruguai. Quem ama vermute puro, ou em alquimia com outros elementos nos coquetéis, não pode deixar de aparecer por lá.
Quem teve a chance de participar das edições anteriores de Sur Vermut sabe que a palavra de ordem na América Latina é revolución. O vermute do sul global escapa às regras da tradição do Velho Mundo, sobretudo das grandes escolas italiana e francesa. Embora haja rótulos que persigam o padrão europeu, há muito de invenção, subversão e criatividade no nosso jeito de fazer vermute.

Podemos começar pela escolha dos botânicos, pois diversos produtores exploram a flora local para dar personalidade às suas bebidas. Tem vermute boliviano com ervas andinas, vermute peruano com ingredientes amazônicos, vermute brasileiro que coloca na garrafa a riqueza da Mata Atlântica. Se multiplicarmos isso pelos estilos apresentados – que vão do vermute branco seco aos tintos adocicados e potentes, passando por biancos, rosés, laranjas, quinados -, chegamos a outra palavra: diversidade.
Essa diversidade também começa pela base. Vários produtores sul-americanos sacaram que vermute não precisa ser um vinho qualquer, cujo perfil (ou falta de perfil) será mascarado pela adição de botânicos. O sensorial do vinho importa bastante. Vermut Flores, do Uruguai, por exemplo, usa vinhos de Tannat e Albariño, uvas simbólicas do país, como base de seus produtos. A partir dessas escolhas, são preservadas algumas das características como a elegante acidez do Albariño e a pegada frutada do Tannat.

La Fuerza também trabalha com castas bem desenvolvidas na Argentina, como a potente Malbec de Mendoza e a floral Torrontés. Avelino, marca peruana, faz um vermute com uva Quebranta, usada na elaboração de pisco. No Brasil, San Basile Destilaria elegeu Merlot, uva historicamente bem adapatada aos nossos terroirs, como base de seu vermute quinado. A paulistana Companhia dos Fermentados subverte a categoria usando bases fermentadas de mel, caju, jabuticaba e até cerveja.
Sonho de consumo
Para muitos dos produtores envolvidos em Sur Vermut, uma das principais propostas do encontro é apresentar uma forma mais descontraída de consumo. “Liberte o vermute do Negroni” é o slogan lançado pela marca curitibana Gargalo e expressa bem a intenção de fazer com que o vermute não seja encarado só como um ingrediente para a coquetelaria.

Claro, é impossível imaginar o universo do bar sem vermute. Diga aí, fã dos drinks, se consegue conceber um mundo sem Dry Martini, Negroni, Manhattan, Rabo de Galo e outras tantas receitas que prescindem do vinho fortificado macerado com botânicos para sua existência. O que muita gente ainda não percebeu, pelo menos aqui no Brasil, é que o vermute pode muito bem ser a bebida tranquilinha do seu final de semana, servida pura, com gelo ou com um pouquinho de água com gás para dar aquele tchans.
O hábito do vermute solo é muito comum em países latinos como Argentina, Uruguai, Itália e Espanha. Já teve seus adeptos no Brasil: titia costumava oferecer um vermutinho para abrir o apetite dos convidados antes dos almoços de domingo. Acontece que ele foi sendo esquecido, nem cringe virou. Quase mesmo sumiu do mapa, embora nos botecos, o povo mais antigo ainda guarde o costume de beber um Cinzano ou um Martini puros.

“A fase moderna do vermute na América Latina é a de redescobrir o hábito de se tomar vermute com gelo. Beber vermute numa ocasião descontraída, num churrasco, numa reunião entre amigos, num ambiente rejuvenescido dentro desse imaginário de consumo”, diz Renato Chiappetta, criador da San Basile, que vê o consumo da categoria crescer no nosso país, embora intimamente atrelado ao boom da coquetelaria.
Sur Vermut pode representar essa virada de chave para quem se dispor a olhar o vermute de outro jeito. O encontro vai permitir a degustação de mais de 40 rótulos e a oportunidade de conversar com produtores, entender os processos de elaboração de cada receita. Para quem quiser mergulhar mais fundo, haverá workshops sobre produção de vermute com Seba Despis (da marca brasileira La Finca), com a sommelière Mari Mesquita e com Juan Stravatto (do mexicano Stravatto Vermut).

O que é vermute?
Se você chegou até aqui sem saber muito bem do que se trata nossa conversa, não se sinta fora do ar. Estamos aqui para resolver a parada. O vermute é um vinho fortificado macerado com botânicos, sobretudo a losna. Hipócrates, 400 anos antes de Cristo, já infusionava vinho com losna e menta e receitava a mistura para curar males estomacais.
Na Idade Média, o elixir tornou-se popular no Condado de Saboia, que compreendia o noroeste da Itália e o sudeste da França. Vendido por boticários, virou moda, e sua riqueza de sabores e aromas era constantemente incrementada com a chegada de ervas e especiarias trazidas por navegadores do oriente e da África. O vermute estabeleceu-se como tradição nessa região, tendo como capitais a cidade italiana de Turim e a cidade francesa de Chambéry. Embora ainda seja o centro da produção mundial, com marcas famosas como Carpano, Cinzano, Martini e Dolin, a cultura do vermute foi trazida para a América do Sul por imigrantes italianos na virada dos século 19 e 20.

Participam de Sur Vermut
Avelino (Peru)
Companhia dos Fermentados (Brasil)
Enraízes (Brasil)
Flores (Uruguai)
Gargalo (Brasil)
La Finca (Brasil)
La Fuerza (Argentina)
La Vermuteria (Paraguai)
San Basile (Brasil)
Stravatto (México)
Suspírito (Brasil)
Tero (Brasil)
VDC (México)
Yerbasanta (Bolívia)
SUR VERMUT — SÃO PAULO
20 de setembro de 2026, a partir das 12h30
LOCAL:
HiFi Community
Rua Mergenthaler, 1177, Vila Leopoldina
INGRESSOS:
R$ 50 na plataforma Sympla
O ingresso dá acesso a:
– Copo oficial do evento: um copo personalizado by Vitrus Brasil, para você levar para casa.
– Degustação livre: acesso total às bancadas dos produtores para degustar diferentes vermutes e conversar diretamente com quem faz.
– Workshops e oficinas: aulas práticas e palestras para você entender tudo sobre o universo do vermute.
– Música e gastronomia: line-up de DJs e um menu especial de coquetéis, comidas e petiscos selecionados do HiFi Community (vendidos à parte).