O que você vai encontrar no Oliveira Cocktail Bar, casa do mixologista Tom Oliveira em São Bento do Sul, Santa Catarina

A turma ligadona em boa coquetelaria de São Paulo não têm muito tempo de sentir saudade de Tom Oliveira, que se mudou para o sul em 2017. Ele está sempre na cidade, participando de guests, de eventos, rodando os bares como embaixador do sistema de carbonatação de bebidas Preshh. Nessas ocasiões, sempre espalha sabor por onde passa, com seus drinks equilibrados e inventivos. Porém, para conhecer a casa de Tom, é preciso bater em São Bento do Sul, norte de Santa Catarina, onde ele fincou a bandeira do Oliveira Cocktail Bar.

Depois de um período em Florianópolis, prestando consultoria para vários bares e restaurantes, Tom realizou o sonho do bar próprio no Garden Jardim Gastronômico, espaço que une diversas opções gulosas. São Bento do Sul, apesar de catarinense, está mais próxima de Curitiba do que de Florianópolis e é um recanto próprio para curtir o inverno. Todas as estações, porém, têm sido agradáveis no Oliveira. Conversamos com Tom e ele explica melhor o fenômeno.

Um brinde cheio de diversidade no Oliveira Cocktail Bar

O que levou você a abrir um bar de coquetelaria fora de um grande centro urbano?
A escolha não foi planejada. Tentei por algumas vezes abrir meu próprio bar em Florianópolis, mas detalhes como valores de aluguel e logística sempre foram um problema. Quando já havia deixado a ideia de lado, surgiu o convite para abrir o bar em São Bento do Sul da parte das pessoas que hoje são meus sócios de bar. A ideia inicial era fazer uma consultoria para eles, mas como eu já conhecia a cidade por conta de outras experiências, decidi não apenas trabalhar na construção do projeto, como me instalar em São Bento e fazer parte dele.

Como você pensou a carta do Oliveira?
Busquei valorizar os ingredientes regionais e os produtores locais. Por ser uma cidade pequena, a possibilidade de fazer esse tipo de trabalho soou mais tranquila em relação a um grande centro ou capital. Vejo isso também como uma forma de apresentar ao cidadão local seu próprio ingrediente sob uma nova ótica, assim como ao turista um pouco dos sabores e da cultura da cidade. O cardápio é dividido em categorias para facilitar na escolha de um coquetel. Cada um deles é produzido com técnicas que minimizam o desperdício dos ingredientes e maximizam resultados e rentabilidade.

O balcão do Oliveira, com vista para o verde

Como vem sendo a recepção do público?
A região conta muito com o fator da sazonalidade. Mesmo sendo uma cidade de serra, o frio ainda é uma barreira quando se trata de fazer a pessoa sair de casa, principalmente com serviços de delivery de comida e streaming, como em qualquer outra cidade. No verão, boa parte das pessoas tiram suas férias nas cidades litorâneas. Mesmo com todos esses pontos, a aceitação do bar por parte tem sido bastante promissora e além do esperado. Tanto público local quanto turistas têm frequentado o bar e, a cada retorno, trazido novas pessoas. O poder do boca a boca tem se mostrado bastante eficaz, mesmo as mídias sociais sendo um grande agente de captação de atenção nos dias de hoje.

O que você vai encontrar por lá

A carta do Oliveira Cocktail Bar é bem organizada e leva o bebedor a encontrar seu estilo de coquetel muito facilmente. Selecionamos um drink de cada uma das sessões: refrescantes, aperitivos, cítricos, adocicados, sem álcool e clássicos & contemporâneos.

Big Japan (refrescante)

Big Japan


É um coquetel bem leve e frutado, em que a base de whisky aparece sutil, porém com personalidade. Ela interage com cordial de pera e soda de maçã num drink longo e carbonatado, que homageia o estilo highball preferido pelos japoneses. Só que com mais graça e fruta do que o dos bares de Tóquio, que leva só whisky e água com gás.

Nelson Rodrigues (aperitivo)

Nelson Rodrigues


A reverência ao escritor mais amargo da nossa literatura e do nosso teatro está na seção que lhe convém. Nelson Rodrigues, o coquetel, é mescla de dois whiskies, Cynar, amaro, bitter de café e um chocolatinho (meio amargo, claro) como guarnição. Perfeito para quem é dos drinks fortes e austeros.

Mais que Amigos, Friends (cítrico)

Mais que Amigos, Friends

O Caju Amigo paulistano viajou para o sul e encontrou nova versão no Oliveira Cocktail Bar. Aqui tem vodca, amaretto, compota de caju com especiarias, suco e espumante de caju, tudo gaseificado no final. Especialmente indicado para quem quer fruta, frescor e acidez bem balanceada com o dulçor.

Banoffee (adocicado)

Banoffee

Na onda de transformar sobremesas em coquetéis, o Banoffee, tão popular em Santa Catarina, ganha menção honrosa. A receita mescla whisky lavado em biscoito amanteigado, banana, licor de mel de cacau e cítricos. A receita é toda clarificada em doce de leite a atende às formigas que não largam o açúcar nem na hora de brindar.

Berga Cosmo (sem álcool)

Berga Cosmo

Os fãs de Cosmopolitan vão se surpreender com essa reinvenção frutadésima do drink de Carrie Bradshaw em modo zero álcool. A mistura leva outro ingrediente de orgulho das terras catarinenses, a bergamota, em alquimia com cranberry, limão siciliano e água saborizada de laranja, tudo carbonatado.

Sin Cyn (clássicos e contemporâneos)

Sin Cyn

Sin Cyn é um clássico pouco conhecido e por isso o destacamos aqui. Ele também é especial para os fãs de amargor e de drinques potentes como Negroni e Boulevardier. Só que o Campari sai de cena e entra em seu lugar o Cynar, compondo o coquetel com um blend de dois whiskies (um deles defumado) e vermute tinto.

Fotos: Divulgação