8 harmonizações perfeitas de drinks e comidas nos restaurantes orientais de São Paulo
Hoje não há jeito de pensar o projeto de um restaurante sem pensar a coquetelaria junto. Ela faz parte de quase qualquer conversa que se possa ter sobre gastronomia. Nos restaurantes tradicionais, divide espaço com os vinhos. Nos orientais, abocanhou parte da atenção dada a fermentados e destilados de origem asiática – que muitas vezes vão parar nos copos com outros elementos ocidentais e, o mais importante, ingredientes que viajam da cozinha para as coqueteleiras e copos de mistura.
O barato é esse: fazer com que os drinks também sejam “comíveis”, entrem em harmonizações certeiras com pratos e petiscos de cada origem – ou de várias origens misturadas. Foi exatamente isso que Vitrus Indica quis mostrar, quando rodou alguns dos orientais mais bacaninhas da cidade… e ainda ficou com vontade de ir a muitos outros lugares. Para seu deleite, damos dicas de casamentos divinos entre comidas e coquetéis em cada um desses endereços.
Aiô (Taiwan)

(Fotos: Brejo/Divulgação)
No Aiô, a cozinha dos chefs Caio Yokota e Victor Valadão está sempre em sintonia com a coquetelaria de Mauricio Barbosa. No estreito e aconchegante taiwanês da Vila Mariana, o casamento sempre foi natural. Há várias comidinhas para compartilhar e muitas ideias de harmonização no menu. Basta se jogar e pedir sugestões do pessoal da barra e da cozinha. Com certeza, só virão boas pedidas.
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O crudo de peixe do dia (R$ 70) vem com ponzu, jalapeño fermentado, pimenta sichuan e pipoca de arroz negro. Os sabores picantes casam com um coquetel defumado, como o Tostado (R$ 63), com bourbon, vinho da Madeira, xarope salgado, bitter umami e torrada de bao.
Aiô Rua Áurea, 307, Vila Mariana / @aiorestaurante
Kureiji (Japão com Brasil e outras culturas)

(Fotos: Neuton Araújo/Divulgação)
Kureiji vem da pronúncia japonesa para a palavra “crazy”. De fato, é tudo meio loucão no restaurante do chef Adriano Kanashiro. Tem coxinha com massa de mochi, tofu grelhado no dendê, cogumelos na manteiga de garrafa. Outras misturas culturais também acontecem, como homus de edamame e polvo com chimichurri de ervas japonesas. Os coquetéis de Ricardo Barreto seguem a mesma linha e ambos, chef e bartender, sempre encontram o equilíbrio.
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Tucupi Manhattan (R$ 52) tem whisky japonês, bourbon, vermute seco, bitters e tucupi preto. É um coquetel denso, potente, untuoso, com umami e toque salino. Ele vai segurar bem pratos mais opulentos como o buta no suneniku (R$ 182), stinco de porco durok servido com farofa de algas, banana e feijão manteiguinha, mais vinagrete de maçã e arroz. Serve bem duas pessoas que já se esbaldaram com algumas entradinhas.
Kureiji Rua Guarará, 190, Jardins / @kureiji.restaurante
Wooza (Coreia com toques de Taiwan)

(Fotos: Reprodução Instagram e Sergio Crusco)
Wooza é o templo da comida coreana boa, farta e a bons preços na Vila Mariana. Há toques e Taiwan no cardápio, por influência da família de Judy Lin, esposa e sócia de Juan Shim. Os coquetéis autorais são assinados pela consultora Suemi Uemura, que estudou ingredientes presentes nos pratos para levá-los às taças, tipo Negroni temperado com o salmoura de kimchi. É de se esperar harmonias surpreendentes.
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O frango frito em molho gochujang (R$ 68) é uma das gordices fundamentais do Wooza, cheio de textura e picância. Ele vai bem com o Wooza Martini (R$ 31), com gim, vermute seco e água de dragon mu, conserva coreana de nabo, pitaya roxa e vinagre. Tem umami, também é levemente salino e finaliza a combinação com o toque ácido do vinagre. Perfeito para agasalhar o frango frito e outros pratos da casa.
Wooza Rua Joaquim Távora, 1374, Vila Mariana / @wooza.sp
Hirá (Japão)

(Fotos: Tales Hidequi)
O Hirá é sempre uma festa. O cardápio extenso, cheio de delícias preparadas pela equipe do chef Daniel Hirata, nos faz ficar em dúvida sobre a melhor pedida. O jeito é voltar várias vezes e tentar gabaritar. A coisa fica mais complicada quando nos lembramos que há duas casas, com diferenças no menu. Michelly Rossi criou as cartas de drinks das duas, também levando em conta a pegada gastronômica que une bebida e comida.
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No Hirá da Vila Madalena, começamos com um trago literalmente bem azeitado. Porque Raro Soy (R$ 46) tem tequila envelhecida, blend de vermutes seco e tinto, solução salina e bitter de azeitona. Ele casa bacana com o yakiniku jyu (R$ 78), uma caixinha com arroz coberto por carne bovina grelhada em ponto menos, cebola caramelizada, molho yakiniku e gema crua. O caráter salgado e untuoso do coquetel prepara a boca para a próxima mordida.
Hirá Rua Fradique Coutinho, 1240, Vila Madalena / @hiraramenizakaya
Ping Yang (Tailândia)

(Fotos: Reprodução Instagram)
Ping Yang é outra casa que nos deixa vesgos com a quantidade de opções, várias compartilháveis, no cardápio. A melhor forma de apreciar essas gostosuras, em clima de camarote de escola de samba, é reservar lugares no balcão e curtir não só a comida, mas o lufa-lufa dos cozinheiros e os aromas que vêm da brasa. Os coquetéis de João Piccolo para a casa do chef Mauricio Santi também brincam com texturas e sabores vindos da culinária.
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Para quem ama os vegetais, indicamos gaeng deng jay (R$ 98), mix de produtos da estação com curry vermelho, tofu e cogumelo. Dirty Bamboo (R$ 55) subverte a receita original, colocando saquê no lugar do Jerez, e completando a mistura com vermute seco, gim e picles de cebola. Ela vai trazer um umamizinho também e você pode pensar nesse drink como acompanhamento para diversos outros pratos do Ping Yang.
Ping Yang Rua Doutor Melo Alves, 767, Jardins / @pingyangsp
Song Qi (China)

(Fotos: Reprodução Instagram)
O chic Song Qi é a filial brasileira do restaurante chinês nascido em Mônaco. Seu chef, Ad Yamashina, estudou na matriz para reproduzir o padrão em São Paulo, onde a casa bombou logo após a abertura, há dois anos. Quem lidera a barra é Ricardo Takahashi, o Japorês, que criou uma carta bem variada, com muitas opções leves e frutadas, uma seção especial de gins tônica e alguns drinks que fazem a cabeça de quem busca algo mais alcoólico.
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Várias duplas, pois vamos de dim sum. Há diversos formatos e recheios, no vapor, fritos ou na grelha. Tem dumpling de cordeiro com aspargo e pimenta sichuan (R$ 45), dim sum de lagosta (R$ 59), wonton de camarão (R$ 49), guioza de frango e porco com nirá (R$ 44) e outros. Tudo isso vai bem com o Smoked Martini (R$ 39), com saquê, vodca, vermute seco e salmoura defumada. Potente, ele já dá um tapa na pantera e abre o apetite para mais diversão.
Song Qi Rua Barão de Capanema, 348, Jardins / @songqi.sp
Oguru (Japão)

(Fotos: Reprodução Instagram e Tadeu Brunelli/Divulgação)
Com cinco unidades, o Oguru é um dos rodízios de comida japonesa mais queridos da cidade. Tem fartura e cortes fresquíssimos. Para ir com bastante calma… A carta de coquetéis está a cargo de Márcio Silva, que trabalhou com o conceito de low alcohol, para quem não quer chapar o coco. Há muitos drinks leves, de sabores frutados e ácidos, que vão bem com o desfile de sushis, sashimis e pratos quentes.
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Raichi Mar-Tea-Ni (R$ 48) tem vodca, saquê, umeshu, chá verde, uva branca e lichia. Ele é bem polivalente na combinação com o rodízio. Saquê, umeshu e chá verde são elementos que combinam classicamente com os pescados crus e com o molho de soja. O dulçor bem sutil que a lichia traz harmoniza, em contraste, com alguns ingredientes mais picantes da festa, como a raiz forte e o gengibre.
Oguru
Itaim / R. Campos Bicudo, 141
Jardins / Alameda Lorena, 1892
Pinheiros / R. Ferreira de Araújo, 392
Sumaré / Rua Apinajés, 1359
Market Place / Av. Dr. Chucri Zaidan, 902
@ogurusushibar
Barkatu (Ásia misturada com Espanha)

(Fotos: Alex Woloch/Divulgação)
Uma salada cultural acontece normalmente em qualquer papo no Barkatu, bar-restô do chef argentino Julian Rigo, que misturou as tapas e os pintxos de tradição espanhola e do País Basco a vários ingredientes e técnicas de diversos povos do oriente. Para criar os coquetéis da casa, que completa dois anos, foi chamado Ryu Komorita, atual head bartender de O Provador. Claro, ele entrou na dança multinacional do lugar.
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Tulipas de pato spicy (R$62) são crocantinhas, pecaminosas. apimentadas e vêm com moho de iogurte, azeite e hortelã, que ameniza o ardor a cada mordida. Para combinar com elas, boa pedida é Gochujang Sour (R$55), com pisco, pasta de pimenta coreana gochujang, mel, limão e clara de ovo. O trago, encorpado e de textura fofa, potencializa a picância do prato ao mesmo tempo em que o limão traz frescor à harmonia.
Barkatu Rua Carla, 77, Itaim Bibi / @b.a.r.k.a.t.u
