Cortina tem drink com panacota dentro e tela de 22 metros para exibição de videoarte

Já ouviu falar em “bar de ver”? É assim que os sócios do Cortina, Marcelo Sarti e Raphael Barreto, definem o novo conceito do barzão que reabriu há pouco, pertinho da Praça da República. Não demora mais do que frações de segundo para que se constate o que eles querem duzer com “bar de ver”. Quem entra no lugar dá de cara com uma tela de 22 metros de comprimento por 2 metros de altura, em que videoartistas expõem suas criações visuais.

Com resolução absurda (11.340 x 1080 pixels), o telão não ofusca os visitantes. A iluminação correta faz com que todos tenham conforto visual e, nesse sentido, há outras comodidades. O conforto também é auditivo, uma vez que a casa tem fino tratamento acústico, que permite conversar sem berrar, apesar do som alto e de graves potentes. Confortável ainda na ambiance: o projeto consegue transmitir aconchego mesmo num lugar de vastas dimensões. Sofás e poltronas dão tom de lounge à casa e a vontade que se tem é de ficar ali por horas.

O telão de 22 metros de comprimento e 2 de altura do Cortina apresenta criações de videoartistas diferentes a cada quinzena
(Foto: Angelo Dal Bó)

A programação visual do Cortina tem curadoria do artista Gabriel Rolim, conhecido como Rollinos, que seleciona, a cada quinzena, novos criadores para expor suas obras no telão. A música fica a cargo de Mariane Villas-Boas, que aposta na sinergia entre som e imagem. No dia em que visitamos o bar, rolavam intervenções sobre cenas de Quentin Tarantino na tela e músicas das trilhas de seus filmes para nossos ouvidos.

A boca também agradece. A nova carta de coquetéis é de Grecia Vascal, mixologista peruana que já passou pelo premiado Carnaval Bar, de Lima, e hoje integra a equipe do bar/balada/rooftop Iccarus. A coleção de drinks atende a diferentes gostos. Quem quer começar se refrescando numa noite quente (a despeito do frio que tem feito lá fora) pode escolher Pan, mistura tropical de tequila, soda de pera e pimenta jalapeño, de toque herbal, com leve picância e boa sensação de fruta. Vem acompanhado de um chocolatinho salgado bem gostoso.

Pan pode ser o comecinho refrescante de uma noite no Cortina, com tequila, soda de pera e jalapeño
(Foto: Angelo Dal Bó)

Blur é para quem gosta de amargor com um toque cítrico. Mescla vermute tinto, Aperol e Campari curado em trufa, lemon pepper e cachaça, e vem acompanhado de um guioza de camarão ao molho de ostra. Render é outro que agrada à turma dos drinks complexos, com amaro Averna, bitter de cacau e fatwash de banana. Também vem com um mimo de morder: bacon desidratado com pó de açaí.

O coquetel mais intrigante de Grecia para o Cortina é Zoom, sobremesa de beber e de comer. Vem uma uma panacota dentro da taça: vamos metendo a colher enquanto sorvemos a bebida. Para quem é da austeridade etílica e se espanta com a expressão “drink de sobremesa”, vale lembrar que a mistura de Jerez macerado com croissant, vermute seco, bitter de cacau e mel é equilibrada. Está equiparada, na escala de dulçor, a um Old Fashioned bem executado, embora de estilo diferente. Sem excessos e com muito sabor.

Zoom é um dos drinks mais curiosos do Cortina: tem Jerez com croissant, vermute seco e bitter de cacau e vem com uma panacota dentro
(Foto: Angelo Dal Bó)

Repare que algumas das receitas de Grecia dispensam o uso de destilados como base, tendência cada vez mais frequente na construção de coquetéis em tempos low alcohol. O Rabo de Galo incrementado do chefe de bar Daniel Gomes, da seção de clássicos, talvez seja a resposta a quem procura um trago decididamente alcoólico. À receita tradicional, de cachaça, Cynar e vermute tinto, Daniel adiciona o delicado vermute de mel da Companhia dos Fermentados, que afina a receita com elegância, sem que se perca o punch. Outra pedida clássica das boas é a Batida de Coco com cachaça, leite de coco e xarope de coco tostado e pipoca.

Para quem bebe e também pede comida, há as gostosuras do chef Checho Gonzales, que preparou entradas em dupla e cumbucas fáceis de devorar entre turmas sentadas nos sofás. Tem arepas de bisteca, de peixe e de queijo da Canastra, cumbucas de almôndegas com bacon, de coxa de pato assada, de ceviche de peixe branco e de arroz de frutos do mar entre as opções.

A cumbuca de ceviche é uma das opções comestíveis do Cortina
(Foto: Angelo Dal Bó)

Vale lembrar que o espaço do subsolo, onde antes funcionava o cineclube, continua a toda, sendo usado para shows, festas, eventos corporativos e outros agitos. Para quem quer conhecer o novo Cortina no modo balada power, indicamos as noite de terça, quando acontece a festa Discopédia e chega a reunir mais de 600 pessoas. O festerê rola nos dois andares da casa, que, nessas noites, trabalha com cardápio de bebidas mais simples e rápidas, servidas em copos de plástico. Nas datas regulares, o pedaço em frente ao palquinho no térreo pode virar pista, dependendo da animação do público ou do DJ que estiver no comando. Um lugar total flex.

Grecia Vascal, a moça dos drinks, e Checho Gonzales, o cara das comidas no Cortina
(Fotos: Angelo Dal Bó)

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