Novo Madre Bar reforça a onda latino-americana na coquetelaria e na gastronomia de São Paulo (com dicas de outros lugares hermanos onde harmonizar comidas e drinks)
O sobradinho que parecia meio escondido na Padre Carvalho, em Pinheiros, era tudo o que a empresária Ana Beatriz Pereira sonhava, enquanto desenhava o projeto do Madre Bar. Tinha cara de casa de vó (que é mãe duas vezes) e mantém esse jeitinho mesmo depois da reforma que ali instalou o bar.
O nome já diz tudo: “É a casa da mulher forte, da matriarca. Pensei num lugar que fosse acolhedor e, durante o processo de concepção do bar, entendi que sou boa em criar espaços para que as pessoas convivam”, diz Ana Beatriz. De fato, o bar fez sucesso imediato, vive cheio após algumas semanas de inauguração e recebe as pessoas com calor. A luz é baixa, na medida certa, há sofazinhos para se esparramar, a decoração remete às figuras femininas da família de Ana e, no segundo lance, há um espaço ainda mais aconchegante, com bar, para grupos e pequenos eventos.
O cuidado com o conforto e com o décor se estende ao que se come e ao que se bebe no Madre. A cozinha está a cargo do chef colombiano Mario Panezo, que também presta consultoria ao Matiz e ao projeto Ibehas. Na operção, ele tem apoio da chef executiva Gabriela Franchi. A carta de coquetéis autorais é assinada por Marco De la Roche e o dia a dia do bar fica a cargo de Leonardo Massoni. Para quem entende do riscado, é ouvir esses nomes e sacar que só pode sair coisa boa daí.

Foto: (Coxiia Agecy/Divulgação)
Marco mergulhou fundão na proposta multicultural da casa, fazendo uma intensa pesquisa sobre lendas femininas da América Latina e traduzindo o caráter dessas deusas em receitas líquidas na seção de coquetéis autorais. “Ao olhar para as forças da natureza que muitas dessas figuras femininas representam, percebi que há muitas histórias ligadas à maternidade, às colheitas, aos ciclos da vida. O gingado é um traço comum às mulheres latino-americanas e isso vem do ventre. Tentei levar essa ginga para as taças”, diz Marco.
Essa carta cheia de bossa e sabores de culturas do continente casa com a proposta da cozinha pan-americana de Mario – e a delícia é só nossa. Para completar a ambiance do Madre, há uma cabine de DJ com toca-discos de vinil, lançando no ar sons latinos incríveis. Embora não haja pista, ninguém vai te recriminar se der vontade de dar uma dançadinha, o que nunca é pecado.
Vitrus Indica foi lá e destaca três harmonizações de coquetéis e comidas (amamos isso!) do Madre. Como latinidade pouca é bobagem, ainda falamos de outros endereços calientes da cidade, com suas dobradinhas sensacionais.

Foto: (Coxiia Agecy/Divulgação)
Effêmera (R$ 46) é dedicado à deusa mexicana Tlazoltéotl, associada ao parto, à fertilidade. Recebe as confissões dos fiéis e purifica suas falhas. Com acidez, umami e leve picância, fruto da união de tiquira (destilado de mandioca) envelhecida em carvalho, vodca e cordial de tomate com baunilha, é uma ótima opção para começar o papo no Madre, tentando zerar os perrengues. Vai bem com os patacones de banana da terra frita com coquetel de camarão (R$ 48), servidos com avocado e coentro.

Foto: (Coxiia Agecy/Divulgação)
Cosecha (R$ 46) faz referência diretíssima a Chicomecóatl, deusa mexica a quem são oferecidas oferendas na esperança de boas colheitas, sobretudo a de milho. Tem tequila envelhecida, bourbon, licor artesanal de milho tostado e espuma de atole (bebida tradicional mexicana, também feita de milho). O milharal da taça pede companhia do taco de porco à pururuca (R$ 45), com purê de feijão preto, avocado e vinagrete de feijão verde. Coentro por cima, oh yeah!

Foto: (Coxiia Agecy/Divulgação)
Vientre (R$ 46) é um dos coquetéis mais potentes da casa, inspirado em outra deusa da cultura mexicana, Coatlicue. É representada como uma mulherona com duas cabeças de serpente e controla os ciclos da vida e da morte. O drink traduz a lenda com cachaça envelhecida em amburana, bourbon, vermute tinto com beterraba (sangre!) e solução marinha. Essa reinterpretação do Negroni casa com as arepas de milho com carne curada na brasa (R$ 49), hogao (molho colombiano de azeite, cebola e tomate) e queijo Kanonenko, da Serra da Mantiqueira.
Madre Bar Rua Padre Carvalho, 141, Pinheiros / @madre.bar
Outros latinos bons de copo e de prato em São Paulo
Macáya

(Fotos: Reprodução Instagram)
Quem disse que drink não combina com salada? No Macáya Gastronomia, dedicado a sabores e culturas do nosso continente, a dobradinha faz sentido. O prato los hijos (R$ 56) tem abacate, tomate, gorgonzola, alface, rúcula e croutons. Piña Cilantro (R$ 49), cheio de frescor, completa a harmonia com tequila, Jerez Fino, concentrado de abacaxi, cordial de coentro, pepino e suco de limão.
Macáya Gastronomia Rua Joinville, 515, Hotel Pullman Ibirapuera, Vila Mariana / @macayagastronomia
Taqueria Atzi

(Fotos: Reprodução Instagram)
Na Taqueria Atzi, dos chefs Eduardo Ortiz e Luana Sabino, a pedida é puramente mexicana. Você pode começar o papo com uma Michelada (R$ 35), reinveção do Bloody Mary com cerveja, molhos picantes e suco de tomate. Para tabelar, o taco el pastor (R$ 20), de porco condimentado com abacaxi.
Taqueria Atzi Rua Mourato Coelho, 1233, Pinheiros / @atzitaqueria
Taquería La Sabrosa

(Fotos: Reprodução Instagram)
Outra combinação fesquitcha começa na La Sabrosa, de Hugo Delgado, com uma Margarita pouco comum aos nossos sentidos, a de tamarindo (R$ 40,50). Sua boa companhia é o aguachile de camarão (R$ 47), com alho fresco, pimenta chiltepin, cebola roxa e coentro, servido com tortilla recheada com batata e noz moscada. O prato nem sempre está no cardápio, pois seu preparo depende de ingredientes específicos, vindos do México. Vale conferir a disponibilidade e, em caso negativo, não faltará pares para sua Margarita.
Taqueria La Sabrosa Rua Francisco Leitão, 246, Pinheiros / @taquerialasabrosa
Suri

(Fotos: Divulgação e Reprodução Instagram)
O Suri foi um dos pioneiros na mescla latino-americana na cidade, representando várias culturas em seu menu. Escolhemos o ceviche goa (R$ 78), com peixe branco, camarão, lula, curry da casa, leite de coco e tortillas de arroz. O prato pede um coquetel fresco e ácido, o que não falta na carta do Suri. Uma das opções mais bonitas e gostosas é Pisco Flowers (R$ 47), um Pisco Sour com toque de frutas vermelhas.
Suri Ceviche Bar Rua Costa Carvalho, 72, Pinheiros / @suricevichebar
LosDos Taquería

(Fotos: Reprodução Instagram)
Já falamos aqui das harmonias incríveis entre comidas e drinks de LosDos Cantina. Agora é a vez de falar da irmã mais nova, LosDos Taquería. Tem ótimos casamentos lá também, como a da Batida de Milho (R$ 31) com elote (R$ 28). A bedidinha, bolada por Hannah Jacome, tem cachaça infusionada com mole branco, suco de milho verde e orgeat. O petisco, um dos mais pedidos, é feito com milho grelhado na manteiga, maionese de chipotle (jalapeño defumado), queijo Cuesta e tajin (mix de pimentas, limão desidratado e sal).
LosDos Taqueria Rua Harmonia, 150, Vila Madalena / @losdos_taqueria
Metzi

(Fotos: Reprodução Instagram)
México no modo luxo é no Metzi, de Eduardo e Luana. Uma pedida ousada é o porco duroc al pastor (R$ 180), que vem com toque defumado, manteiga de abacaxi e tortillas. Da carta do bartender Allan Suarez, o coquetel que mais harmoniza é Epazote (R$ 90), com mezcal, epazote (o nosso mastruz), aperitivo Cocchi Americano e Cointreau. O defumado do mezcal envolve o prato e a erva traz uma ponta de frescor para a harmonização.
Metzi Rua João Moura, 861, Pinheiros / @metzirestaurant
Ama.zo

(Fotos: Reprodução Instagram)
No Ama.zo, do chef peruano Enrique Paredes, você pode fazer harmonizações ligeiras com os coquetéis frescos de Wendel Feitosa e os ceviches da casa. Mas escolhemos uma bem parruda. O arroz chaufa com pancetta laqueada (R$ 98) é salteado com vegetais e servido com molho teriyaki e couve frita. Forastero (R$ 54) é um drink defumado que segura a potência de sabor do prato, com scotch infusionado com chocolate amargo, vermute tinto, licor e bitter de cacau.
Ama.zo Rua Guaianases, 1149, Campos Elíseos / @amazoperuano
