6 LUGARES CHEIOS DE BRASILIDADE PARA LEVAR O AMIGO ESTRANGEIRO EM SÃO PAULO – E UM BÔNUS INTERNACIONAL

Parque do Ibirapuera, Liberdade, Beco do Batman, Mercadão Municipal, Terraço Itália, Masp, Pinacoteca… Todo mundo pensa nesses lugares quando se trata de apresentar São Paulo a quem chega de fora.

As melhores formas de agradar um amigo estrangeiro, porém, podem estar na música, na bebida e na comida. Se o amigo ou a amiga (ou a turma) forem do time que adora se jogar ao ritmo da gula e do paladar, São Paulo tem muito, muito a oferecer.

Vitrus indica sete lugares que, com certeza, darão uma excelente impressão da cidade e de seu talento como anfitriã ou anfitrião. Se a figura não gostar, sentimos informar, é porque é chata (ou very boring, como diz o inglês).

ESQUINA DO SOUZA

Alquimias de frutas e cachaças nas Caipirinhas da Esquina do Souza
(Foto: Reprodução Instagram)

“Caipirínea” ou “caipiringa”? Qualquer que seja a pronúncia de seu convidado, o que se quer é acertar na escolha. Um dos melhores lugares onde fazer a boa pedida é a Esquina do Souza, do supserstar da Caipirinha Deusdete Souza.

Premiadíssimo e com anos de história no bar, Souza cria misturas pouco prováveis com limões, abacaxi, coco, jabuticaba, kiwi, tangerina, morango, maracujá, tamarindo e muito mais do que possa caber num turbante de Carmen Miranda. Se quiser a tradicional, direta e reta, com cachaça, limão e açúcar, claro que tem.

Souza não é um chiita e permite bases como gim, saquê ou vodca, mas cabe aos cicerones informar, sem pressão, que a verdadeira Caipirinha é feita com cachaça – e há uma boa variedade delas na Esquina.

Bolinhos de carne estão entre as muitas opções de gordices na Esquina do Souza
(Foto: Ricardo D’Angelo)

Uma das mais pedidas é a Caipirinha da Taty, com limão, abacaxi, gengibre e hortelã, que trazem picância e frescor. A receita homenageia Tati Balbino, esposa de Souza e chef da cozinha.

Hora de harmonizar o drink com a variedade de bolinhos da casa – tem de carne, frango, camarão, feijoada, mandioca com carne louca e outros borogodós bem gulosos. A coxinha de frango e requeijão é ótima porta de entrada para quem nunca provou essa delícia tão brasileira. O torresmo pururuca é carnudo e crocante, perfeito para visitantes que não têm medo de chafurdar na gordice.

Esquina do Souza
Pompéia: Rua Coronel Melo de Oliveira, 1066
Vila Leopoldina: Rua Carneiro da Silva, 185
@esquinadosouza

CASA DE FRANCISCA

Casa de Francisca tem shows em vários espaços e até na rua
(Foto: Filipe Redondo)

Se a pessoa que vem de fora tem alma musical, baladeira, gulosa, curte arquitetura e gosta de uma paquera, a casa de Francisca vai muito bem impressioná-la. Fica no Palacete Teresa, um dos prédios históricos mais bonitos da cidade, inaugurado em 1910.

O passeio pode começar pelo centro até vocês baterem na Casa, que tem vários espaços para ouvir música, comer e beber. Basta conferir a agitada programação antes de ir ou mesmo chegar lá no improviso – tem sempre algo de bom acontecendo, muitas vezes simultaneamente.

No salão, onde funciona o restaurtante, tem shows de quarta a sábado. O Largo, no térreo, tem drinks, petiscos e DJs tocando sons brasileiros para quem passa na rua. No Porão também tem show e baladinhas animadas. Na Sala B, com capacidade para 44 pessoas, rolam apresentações bem intimistas.

O drink Sirimbó é um dos hits etílicos da Casa de Francisca
(Foto: Filipe Redondo)

Enquanto você pula de um espaço para o outro, pode ir provando drinks e petiscos diferentes. Um dos coquetéis mais pedidos dos bares comandandos por Cleber Freire é Jambuticaba, com cachaça de jambu, licor de flor de sabugueiro, vermute de jabuticaba e perfume de limão siciliano. Sirimbó é outro hit, com cachaça de jambu, umbu, limão, xarope de maracujá e clara de ovo.

A cozinha, que passa a ser liderada pelo chef Fábio Vieira, está em fase de mudanças. Mas deve manter a característica multicultural, com influências das culinárias de vários povos que construíram a cidade de São Paulo.

Casa de Francisca / Rua Quintino Bocaiúva, 22, Sé / @casadefrancisca

TORDESILHAS

O suculento bobó de camarão do Tordesilhas
(Foto: Divulgação)

Se você quer apresentar o Brasil no modo chique a quem chega na cidade, uma das melhores dicas é o Tordesilhas, restaurante fundado há 36 anos pela chef Mara Salles.

Mara foi uma das maiores responsáveis por provar que nossa cozinha popular pode muito bem, sim, ser tratada como alta gastronomia. Sua casa é exemplo de consitência, sabor e prazer.

O cardápio traz quitutes de várias regiões do país, alguns com toques autorais, outros mantendo sua originalidade. Tem o nortista bolinho de pirarucu, o baiano bobó de camarão, a moqueca capixaba ou o nordestino baião de dois. Vegetarianos e veganos podem se deliciar com a moqueca de banana.

A moqueca de banana que chega fervendo no Tordesilhas
(Foto: Divulgação)

Se o amigo gringo é da sustança, recomende o barreado. Vindo do litoral do Paraná e feito famoso por Mara em terras paulistanas, é carne bovina cozida muito lentamente, por mais de 10 horas, numa panela de barro selada. É denso, caldoso, suculento, superapetitoso.

Para tabelar a opulência dos pratos, há bebidas bem brasileirinhas como as batidas de maracujá com coentro (refrescantíssima) e de amendoim. Caju Amigo e Rabo de Galo são drinks tradicionais bem potentes para o amigo que é duro na queda.

Tordesilhas / Alameda Tietê, 489, Jardins / @tordesilhas

ASSADOR

Picanha: paixão brasileira que seus amigos gringos devem aprender a reconhecer
(Foto: Fernanda Brito)

Se a pessoa tem boa disposição para comer até se fartar, apresentá-la a um rodízio de carnes é a senha para o sucesso. O Assador ainda agrada a quem tem um estilo mais formal, tipo faria limer, pois está no grande corredor financeiro da cidade.

O restaurante é de Jair Coser, fundador do célebre Fogo de Chão, um dos pioneiros do sistema de rodízio em São Paulo. Primor no preparo das carnes é o que não falta por aqui, num ambiente sóbrio e educado.

O buffet de saladas é básico, não tem grandes invenções. Aí você já aproveita para ensinar aos amigos de fora que quem se atraca demais nas saladas acaba não aproveitando o desfile de cortes. Mas quem resiste a entradinhas como pão de queijo, pão de alho, mandioca frita? E farofa de ovos para acompanhar? O forasteiro precisa saber o que é farofa!

O ambiente sóbrio do Assador agrada aos amigos certinhos
(Foto: Fernanda Brito)

Entre os cortes, fazem sucesso a alcatra de vaca velha, o denver steak, o tomahawk e a pedida mais amada pelos brasileiros: picanha com casca torradinha e interior rosado, macio e suculento. Há também frango, cordeiro e outro hit da casa, o porco preto da Canastra. Uma seção de pratos do mar é servida à la carte.

O coquetéis são clássicos e bem executados, mas aqui a boca pede vinho. A carta é eclética e começa com preços abaixo de R$ 200 até chegar ao bordalês Château Petrus 2010, por nada singelos R$ 98 mil.

Assador / Avenida Brigadeiro Faria Lima, 3732, Itaim Bibi / @assadorbr

Ó DO BOROGODÓ

Rodas mostram o fino do samba e do choro no Ó do Borogodó
(Foto: Reprodução Instagram)

Brasil sem samba não tem graça e, se o convidado é do tipo bem informal, você pode levá-lo a um dos espaços mais íntimos e sacudidos de música ao vivo. Ó do Borogodó, num humilde imóvel de Pinheiros, é o lugar. Bom também para paquerar ao ritmo da percussão.

A casa é pequena, ali a proximidade é compulsória. Quem não se incomoda com aperto, porém, está prestes a ouvir alguns dos melhores músicos do choro e do samba da cidade e de fora. Carreiras nasceram ali, como a da cantora Fabiana Cozza, e não é raro aparecer uma figura famosa para dar canja (a querida Beth Carvalho era fã, vivia dando pinta no Ó).

Casa cheia para curtir o som da cantora Raquel Tobias no Ó do Borogodó
(Foto: Reprodução Instagram)

Há quem prefira ficar sentado, bebendo uma gelada enquanto o som rola. Há quem goste de ficar de pé dançando e chegando mais perto da roda dos mestres. Para quem ama música, diversão não vai faltar.

A pedida aqui são as cervejas comuns ou artesanais, tabeladas com alguns dos petiscos da casa, como o sanduíche de sardinha com cebola roxa e coentro, a moela ou a botequeira porção de tremoços, que pode intrigar quem nunca provou esse clássico dos bares vintage.

Ó do Borogodó / Rua Horácio Lane, 21, Pinheiros / @odoborogodobar

FEIRA SABOR NACIONAL

Mil delícias para provar e levar para casa na Feira Sabor Nacional
(Foto: Divulgação)

Para além dos bares e restaurantes, a Feira Sabor Nacional é um acontecimento para qualquer guloso que tenha orgulho de sua condição. O evento, que ocorre a cada três meses na Cinemateca Brasileira (um lugar lindo!), reúne as mais finas iguarias de pequenos produtores muito bem selecionados.

É um esbaldar de quejos, charcutaria, pães e patisserie, azeites, temperos, molhos, doces, sorvetes, chocolates, cafés, cervejas, cachaças, vinhos, chás. Dá para provar quase tudo antes de comprar e fica difícil sair de lá sem um belo de um carregamento.

Além dos expositores, vários bares e restaurantes da cidade frequentam a feira em sistema de rodízio. Você pode pular de um acarajé no Tabuleiro das Meninas para um petisco no Mocotó sem culpa.

O acarajé do Tabuleiro das Meninas está sempre de plantão na área de bares e restaurantes da feira
(Foto: Divulgação)

Bagaceira, Mapu, Koya88, Holy Burger, Ama.zo, Make Hommus Not War, Tucupi, Bao Hut, Notorious Fish, Bar do Luiz Fernandes, Linguiça Real de Bragança são algumas das presenças frequentes.

A próxima edição da Feira Sabor Nacional acontece nos dias 23 e 24 de maio. Caso perca a próxima, se ligue na programação, divulgada no Instagram do evento, para ver se casa com a visita de algum amigo de fora.

Feira Sabor Nacional / Cinemateca Nacional: Largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Mariana / @feirasabornacional

CALEDONIA WHISKY & CO.

O balcão do Caledonia Whisky & Co. é um sonho para quem ama alta coquetelaria
(Foto: Mauricio Porto)

Tem aquela pessoa que não viaja na viagem. Não tem coragem de se jogar nas comidas, nos hábitos, nas modas, nas músicas e nas bebidas do lugar que visita. Se seu convidade é desse tipo, ou se você não tem muita intimidade com ele, Caledonia Whisky & Co. é o bar com jeitão cosmopolita que provavelmente vai agradá-lo.

O Caledonia nasceu com a promessa de ser o templo do whisky na cidade, o que de fato é. Mauricio Porto, o Cão Engarrafado, um de seus idealizadores, procura manter nas prateleiras toda sorte de whiskies importados de diversos países ou fabricados no Brasil.

Mas a casa vai além: é um dos mais respeitados bares de coquetelaria da cidade, com chefia a cargo do mixologista Alison Oliveira. Se seu gringo não desgruda de seus Negronis, Manhattans ou Dry Martinis, poderá desfrutá-los à perfeição por lá.

Katharsis é um dos mais pedidos da carta de drinks autorais do Caledonia
(Foto: Mauricio Porto)

As receitas autorais, baseadas nesses e tantos outros clássicos, não ficam atrás. Para quem tem paladar finório, uma mistura chique e complexa é Katharsis, com bourbon lavado na manteiga de garrafa, licor de café, licor de caramelo e baunilha, solução salina, bitter de cacau e espuma de café com queijo.

Na seção de comes, os hambúrgueres fazem a fama do Caledonia, especialmente o Stirling, com blue cheese e cebola caramelizada com um toque de whisky. O scotch egg, receita criada na Inglaterra do século 18, é na verdade o nosso popular bolovo – aqui, com o nome original. Pegadinha.

Caledonia Whisky & Co. / Rua Vupabussu, 309, Pinheiros / @caledoniawhiskyco